Em meio à crescente tensão no Golfo Pérsico, o coronel da reserva do Exército dos EUA Manuel Supervielle analisou por que a livre navegação no Estreito de Ormuz não foi garantida desde o primeiro dia das hostilidades. Para o especialista, o problema está no fato de Washington não ter definido com clareza o objetivo final do conflito.
O risco como arma de guerra
Supervielle explicou que o Irã não precisa de um bloqueio físico total para paralisar o comércio de energia. “Basta criar a percepção de risco para que as seguradoras se retirem, e sem seguro, os navios simplesmente não navegam”, afirmou. Ele também alertou sobre o uso de minas navais, destacando que uma operação de limpeza no Golfo poderia levar meses, mesmo após o fim dos disparos.
A crise dos ultimatos
O coronel criticou a estratégia da Casa Branca em relação aos prazos dados a Teerã. “Dar prazos e depois prorrogá-los reduz a credibilidade dos Estados Unidos; é como a história do menino que gritava lobo”, disse. Para o coronel da reserva Manuel Supervielle, essas extensões apenas servem para ganhar tempo sem alterar o curso do conflito, enquanto o risco de uma crise humanitária por falta de água ou ataques à infraestrutura petrolífera continua a aumentar.